sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pressa


Dia destes tive a oportunidade de assistir a um trecho de uma palestra do professor Mario Cortella (procurem no Youtube...). Ele é ótimo e entre tantos assuntos interessantes, nos fala do tempo das coisas e de como é essencial que as crianças participem disso para terem noção de que para tudo existe um tempo; nada surge de repente, como que por mágica.
É verdade, tudo tem um tempo de amadurecimento. Uma flor que se planta, uma refeição que se prepara, um estudo que se inicia.
Se alguém já teve a oportunidade de observar, a Natureza nos dá lições maravilhosas desse mecanismo de esperar para ver as mutações. Comece a olhar à sua volta e verá que interessante acompanhar o desenvolvimento daquele arbusto que você plantou, da flor que dele desabrocha. Nada acontece de um dia para o outro mas temos transformações quase imperceptíveis diariamente, mostrando que somente o tempo confere solidez. O tempo é capaz de transformar, de materializar e de solidificar. Não adianta querer alterar isso porque é uma lei da Natureza... é algo divino e indiscutível.
A vida, a nossa vida segue esse mesmo princípio. Nascemos sem saber absolutamente nada; talvez sejamos os seres mais indefesos de todo o Planeta, temos total dependência de nossos pais – principalmente da mãe – durante toda a nossa infância e boa parte da adolescência. Ao contrário de outros seres vivos com quem dividimos a Terra, parece que não temos instinto – os cientistas preferem chamar de inteligência – mas temos que aprender as coisas dos mais experientes e aí podemos aperfeiçoar isso, alterando ou modernizando técnicas, adequando aos nossos tempos.
Por isso, não adianta querer dominar um outro idioma em três semanas ou usar uma técnica mirabolante para ficar rico em dois meses. 
Nunca se esqueça: qualquer obra humana demora. Michelangelo levou quatro anos para pintar os afrescos que compõem a Capela Sistina; os grandes mestres da literatura também demoravam para concluir suas obras; a Igreja da Sagrada Família, de Barcelona, teve sua construção iniciada em 1882 e não foi terminada até hoje (2013), só para citar alguns exemplos.
Temos que respeitar o tempo; não há que se ter pressa. É dele a decisão de quando as coisas acontecerão e não adianta tentar alterar sua mecânica: ele é exato e absoluto, conclusivo e implacável.
E você, já fez esse balanço na sua vida? Como tem aproveitado o seu tempo?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A reunião


Quando eu comecei a trabalhar, aos dezesseis anos de idade, foi no escritório de uma renomada empresa do ramo têxtil aqui em São Paulo.
Tudo lá era muito pomposo: tínhamos que ir trajados de gravata; jeans e tênis eram proibidos. As mulheres também só usavam roupas sociais. Os superiores tratavam a todos por “senhor” e “senhora”, não havia nenhum tipo de intimidade, algo que ensejasse alguma aproximação. Eu achava estranho ser chamado assim... de “senhor” – afinal, eu era um adolescente! Mas era assim, tudo era muito circunspecto.
Era o tipo de ambiente comum naquela época: as pessoas mantinham-se numa postura respeitosa umas com as outras e o trabalho fluía assim. Não fosse o cansaço de conjugar o trabalho com meu primeiro ano noturno de curso colegial, eu teria ficado lá muito mais tempo. O salário era péssimo mas havia sempre a oportunidade de crescer dentro da empresa.
Às vezes os chefes se fechavam numa sala para conversar, discutir coisas do trabalho, sei lá. Muitos sisudos, os colegas comentavam que eles estavam ocupados em reunião.
Aquele termo ficou na minha cabeça: em reunião.
Eu ficava imaginando quando é que eu seria tão importante a ponto de participar de uma reunião. Sonhava em ter meu lugar naquela mesa imensa, de madeira pesada e escura, com o Presidente da empresa na ponta, avaliando e determinando os rumos a serem seguidos, o vislumbre de crescimento da companhia. Eu ouviria e seria ouvido, minhas opiniões levadas em conta, participaria, teria meus breves instantes de sucesso.
O tempo passou, eu saí de lá, terminei meus estudos, trabalhei em outros lugares. Modernamente as coisas mudaram muito. Em geral, todo mundo trabalha de tênis e usa os jeans mais surrados do armário. O formalismo de outrora deu lugar a gírias, os tradicionais e sinceros apertos de mão foram substituídos por malabarismos de dedos que estalam, giram e se batem no ar. Não é raro que se vejam pessoas com fones de ouvido escutando suas musiquinhas favoritas ou plugadas num celular que nunca para de tocar.
Entretanto, tem uma coisa que mudou mais do que tudo: as reuniões. Às vezes as pessoas não querem atender alguém na empresa e pedem: “fala que eu estou em reunião”.
A reunião! Aquele momento tão mágico quanto solene, hoje serve como esconderijo, como desculpa para não se atender uma pessoa ou – pior – para se livrar dela. Tudo virou “reunião”. Duas pessoas tomando cafezinho, contando piadas lá no canto da sala, isso já é considerado reunião...
Acontece muito onde eu trabalho e sou obrigado a dizer às pessoas que fulano não vai poder atender pois está “em reunião”. Noto a tristeza na voz das pessoas ou sinto o olhar de decepção caso estejam presentes pois no fundo, ninguém é bobo e existe plena consciência de que se está sendo enrolado: elas procuram soluções para seus problemas e nem podem expor seus argumentos por causa da tal reunião que sequer existe. “Em reunião” sinaliza uma dispensa sumária; se você ouvir isso por pelo menos três vezes e sem um retorno daquela pessoa, desista!
Isso projeta meu pensamento diretamente para todos esses colegiados que existem mundo afora, confabulando horas a fio, sempre em reunião... e nem sempre com os resultados que esperamos.
Que tristeza, não? O futuro de alguém pode depender apenas de um instante de atenção mas fica alí, pendurado no descaso, refém daquele instante de prepotência que se apodera de alguns seres humanos, eternamente... em reunião!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher


Hoje é o Dia Internacional da Mulher.
Já tive a oportunidade de escrever sobre isso anteriormente; eu não concordo com a data – aliás não concordo com datas comemorativas de forma geral.
Neste dia as mulheres todas recebem atenção, botões de rosa, bombons, verdadeiras declarações de amor de seus maridos, filhos, chefes, subalternos, amigos e etc.
Se duvidar até o Porteiro do prédio se apressa em cumprimentar as moradoras e o Ascensorista do escritório também não vai deixar a data passar em branco.
E nos outros dias?
Ah, nos outros dias a mulher volta a ser escravizada pelos compromissos, soterrada por inúmeras obrigações, prisioneira de sua família, enlouquecida pelo binômio casa-trabalho. Quase ninguém se lembra dela como mulher.
Teoricamente liberta nos anos 60 com a revolução sexual liderada por Betty Friedan no seu emblemático livro A Mística Feminina (1963), a mulher se viu, de repente, presa no emaranhado da vida moderna, compromissada com o desenvolvimento de uma sociedade que ela ajudou a criar.
A partir daí, a mulher abandonava definitivamente a vida doméstica e o cuidado exclusivo do lar e filhos para ser cada vez mais atuante no mercado de trabalho, onde conseguiu se firmar com espantosa velocidade. De forma irreversível dava adeus ao sossego da casa para se tornar empresária, profissional liberal ou executiva tomando importantes decisões.
Assim, muito particularmente acredito que o Dia da Mulher não pode se resumir num único dia – mas deve ser comemorado todos os dias! Basta de hipocrisia pois mulheres e homens não são rivais mas sim parceiros, ambos trabalhando em pról de um mundo melhor para todos.
Por isso o meu discurso é um pouco diferente: parabéns às mulheres não só por hoje mas por todos os dias, agradecendo pela companhia nessa nossa caminhada pela existência terrena! É graças à mulher que o mundo evolui com mais harmonia, graça, sabedoria e equilíbrio!
Precisa algo melhor?